![]() |
| O sentimento não pode parar |
O sucesso absoluto e instantâneo, desde quando assumiu o comando técnico do Barcelona, em 2008, transformaram Josep Guardiola em um personagem infalível. Os títulos colocaram o espanhol em um olimpo, juntamente com Messi, a principal estrela da era Guardiola. Entretanto, a saída desesperada do atacante Ibrahimovic para o Milan serviu para mostrar que o jovem treinador ainda não tem faro para escolher suas contratações e não está acostumado a lidar com jogadores de forte personalidade.
A primeira "vítima" foi Eto'o. Conhecido pelos gols e por falar o que pensa, o camaronês foi obrigado a deixar o clube que defendeu durante cinco anos. O motivo? Falta de feeling, de acordo com Guardiola. O atacante jamais esquecerá a palavra feeling, mesmo sem entender o significado dela em seu caso. Por conta do descontentamento do chefe com o subordinado, um novo goleador deveria ser contratado.
A diretoria do Barça teve que se virar e conseguiu realizar a negociação mais inacreditável da história do futebol. Cedeu Eto’o, cujo valor estava estimado em 20 milhões de euros e pagou à Internazionale mais 45 milhões de euros por Ibrahimovic. Cerca de um ano depois, parece que o termo feeling voltou a ficar em evidência. Em seu retorno para o futebol italiano - em novo prejuízo do clube espanhol, que receberá menos da metade do valor investido no sueco -, Ibra tentou explicar a relação com o técnico:
"Quando entro numa sala em que ele está, ele sai logo. Não sei se tem medo de mim. É um filósofo e acabou com o meu sonho de estar em Barcelona. Vou-me embora, mas ainda não sei qual era o problema. O treinador não me queria e não quero fazê-lo perder mais tempo".
Outra contratação de peso do técnico espanhol surpreendeu a todos: o desconhecido zagueiro ucraniano Chygrynskiy. O valor da transferência: 25 milhões de euros. O jogador pouco apareceu durante a última temporada e voltou ao Shakhtar Donetsk, deixando a Espanha pela porta dos fundos sem deixar saudades.
A mais nova aquisição também chega de forma polêmica. O argentino Mascherano, tido por Guardiola como um jogador perfeito para sua equipe, é famoso justamente por ser anti-jogo bonito. Em um meio-campo de genialidade e rapidez de raciocínio impressionantes, as probabilidades de o técnico ter que arrumar novamente uma desculpa para se livrar de mais um erro de cálculo seu são grandes. Além disso, Masch forçou o Liverpool a aceitar uma proposta inferior ao valor pedido inicialmente pelos ingleses e deixou de disputar uma partida importante por conta das negociações. Personalidade é o que não falta ao capitão da seleção argentina.
Parece ser mais difícil se manter no seleto grupo de queridinhos de Guardiola do que conquistar títulos no Barça. Entretanto, o comandante já deu a dica: como cantaria Morris Albert, bastam "feelings, nothing more than feelings".

Nenhum comentário:
Postar um comentário