terça-feira, 21 de setembro de 2010

Para se fazer arte é preciso dedicação

Berbatov no momento da assinatura de sua obra
Há algumas semanas o atacante búlgaro Berbatov, do Manchester United, se colocou em uma posição de risco ao ser comparado a Cantona, ídolo da torcida da equipe do norte da Inglaterra. Assim como o ex-jogador francês, Berba, como é carinhosamente conhecido, fez uma comparação entre o futebol e a arte, garantindo que na atual temporada pretende fazer arte com os pés. A declaração soou extremamente audaciosa para um "artista" cujas obras ainda não caíram no gosto popular.

Enquanto Rooney, o queridinho dos torcedores do Manchester, se envolve em problemas fora dos gramados, Berbatov tem feito o que dele tanto se esperava desde quando foi contratado há cerca de dois anos: gols. Na atual temporada ele já balançou as redes sete vezes em oito partidas. A mudança não ocorreu por acaso. Incomodado com o status de "jogador hipervalorizado que não deu certo", o atacante resolveu se dedicar aos treinamentos durante o período de férias.

Como resultado de tanto esforço, no último fim de semana o camisa 9 marcou três gols na histórica vitória sobre os rivais do Liverpool por 3 a 2, em casa, com direito a... uma obra de arte! Pela primeira vez o búlgaro conseguiu ter a seu lado as mais de 70 mil pessoas que sempre frequentam o Old Trafford em dias de jogos. O jogador mais balado do momento na Inglaterra mostrou que é um artista digno dos aplausos do exigente público do "Teatro dos sonhos".

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Guardiola em: Feelings, nothing more than feelings

O sentimento não pode parar
O sucesso absoluto e instantâneo, desde quando assumiu o comando técnico do Barcelona, em 2008, transformaram Josep Guardiola em um personagem infalível. Os títulos colocaram o espanhol em um olimpo, juntamente com Messi, a principal estrela da era Guardiola. Entretanto, a saída desesperada do atacante Ibrahimovic para o Milan serviu para mostrar que o jovem treinador ainda não tem faro para escolher suas contratações e não está acostumado a lidar com jogadores de forte personalidade.

A primeira "vítima" foi Eto'o. Conhecido pelos gols e por falar o que pensa, o camaronês foi obrigado a deixar o clube que defendeu durante cinco anos. O motivo? Falta de feeling, de acordo com Guardiola. O atacante jamais esquecerá a palavra feeling, mesmo sem entender o significado dela em seu caso. Por conta do descontentamento do chefe com o subordinado, um novo goleador deveria ser contratado.

A diretoria do Barça teve que se virar e conseguiu realizar a negociação mais inacreditável da história do futebol. Cedeu Eto’o, cujo valor estava estimado em 20 milhões de euros e pagou à Internazionale mais 45 milhões de euros por Ibrahimovic. Cerca de um ano depois, parece que o termo feeling voltou a ficar em evidência. Em seu retorno para o futebol italiano - em novo prejuízo do clube espanhol, que receberá menos da metade do valor investido no sueco -, Ibra tentou explicar a relação com o técnico:

"Quando entro numa sala em que ele está, ele sai logo. Não sei se tem medo de mim. É um filósofo e acabou com o meu sonho de estar em Barcelona. Vou-me embora, mas ainda não sei qual era o problema. O treinador não me queria e não quero fazê-lo perder mais tempo".

Outra contratação de peso do técnico espanhol surpreendeu a todos: o desconhecido zagueiro ucraniano Chygrynskiy. O valor da transferência: 25 milhões de euros. O jogador pouco apareceu durante a última temporada e voltou ao Shakhtar Donetsk, deixando a Espanha pela porta dos fundos sem deixar saudades.

A mais nova aquisição também chega de forma polêmica. O argentino Mascherano, tido por Guardiola como um jogador perfeito para sua equipe, é famoso justamente por ser anti-jogo bonito. Em um meio-campo de genialidade e rapidez de raciocínio impressionantes, as probabilidades de o técnico ter que arrumar novamente uma desculpa para se livrar de mais um erro de cálculo seu são grandes. Além disso, Masch forçou o Liverpool a aceitar uma proposta inferior ao valor pedido inicialmente pelos ingleses e deixou de disputar uma partida importante por conta das negociações. Personalidade é o que não falta ao capitão da seleção argentina.

Parece ser mais difícil se manter no seleto grupo de queridinhos de Guardiola do que conquistar títulos no Barça. Entretanto, o comandante já deu a dica: como cantaria Morris Albert, bastam "feelings, nothing more than feelings".

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Liga dos Campeões: análise do sorteio dos grupos


Definidos os grupos da Liga dos Campeões, teremos um grupo histórico com Milan, Real Madrid e Ájax. Juntos, os três contam com 20 títulos do torneio mais importante da Europa. Todavia, não se trata de um grupo que pode ser classificado como o da morte. O Real Madrid é o favorito. O Milan conta com um elenco de jogadores extremamente experientes. Pode avançar mas não briga pelo título. Atualmente o Ajax está longe de ser uma potência na Holanda. Que dirá em uma competição continental.

A atual campeã Inter de Milão caiu em um grupo equilibrado. Os italianos devem ser soberanos e a briga será boa pela segunda vaga, com Werder, Tottenham e Twente, o atual campeão holandês, lutando em iguais condições. No Grupo B, o espanhol Raúl pode fazer história com o Schalke 04, que enfrentará o Benfica – sem Di Maria e Ramires, e o Lyon, que chegou às semi na última temporada.

O Manchester United reinará no grupo D, apesar do clássico britânico contra os escoceses do Rangers. O Valencia perdeu seus dois melhores jogadores (Villa e Silva) e convive com eternos problemas financeiros. O campeão turco Bursaspor tentará curtir seus 15 minutos de fama. O Barcelona terá que gastar milhas em viagens e enfrentará um adversário diferente: o frio da Rússia e da Dinamarca. Os russos do Rubin Kazan são velhos conhecidos dos espanhóis. Na última temporada, venceram o Barça em pleno Camp Nou e empataram jogando em casa sob um frio de -4ºC.

O Chelsea também será mestre de seu destino no Grupo F. O Olympique, único francês a conquistar a Liga dos Campeões, é favorito para conquistar a segunda vaga nas oitavas. A novidade é o desconhecido Zilina, da Eslováquia. Com mais de 100 anos de existência, participará do torneio pela primeira vez. No Grupo H, o Arsenal também deverá seguir na briga pelo título sem sustos. O Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, aposta em um presente comprado justamente do adversário inglês: o brasileiro Eduardo da Silva. O Sporting Braga é o clube mais brasileiro da competição, com mais de 10 brazucas no elenco.


Veja como ficaram os grupos:
Grupo A: Inter, Werder Bremen, Tottenham e Twente

Grupo B: Lyon, Benfica, Schalke 04 e Hapoel Tel-Aviv

Grupo C: Manchester United, Valencia, Rangers e Bursaspor

Grupo D: Barcelona, Panathinakos, Copenhagen e Rubin Kazan

Grupo E: Bayern de Munique, Roma, Basel e Cluj

Grupo F: Chelsea, Olympique, Spartak de Moscou e Zilina

Grupo G: Milan, Real Madrid, Ajax e Auxerre

Grupo H: Arsenal, Shakhtar Donetsk, Sporting Braga e Partizan


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A Ronaldinho o que é de Ronaldinho

Capitão Puyol entrega o troféu Joan Gamper ao ídolo
O Barcelona corrigiu uma das maiores injustiças de sua impecável história nesta quarta-feira, no duelo contra o Milan, válido pelo Troféu Joan Gamper: fez uma homenagem que dignificasse o que Ronaldinho representa para o clube. A paixão pela noite fez com que, injustamente, o conceito do brasileiro caísse dramaticamente entre dirigentes e torcedores até chegar ao ponto em que a saída do brasileiro fosse inevitável. O craque deixou o Barça pela porta dos fundos.

O que Ronaldinho fez em campo, enquanto jogador barcelonista está acima de qualquer discussão. Pode ter brilhado durante pouco tempo, mas foi eterno enquanto durou. Existe uma perversa insistência em colocar Messi acima de Roni. O argentino vai conquistar muito mais títulos do que o brasileiro. No entanto, por mais que também seja um gênio na galeria dos melhores de todos os tempos do Barcelona com apenas 23 anos, jamais alcançará o gaúcho.

Ronaldinho não pode ser comparado aos simples mortais. Messi é um fora de série. Mas é humano. Duvido que o atual camisa 10 do clube catalão consiga humilhar o Real Madrid e ainda ser aplaudido de pé, quebrando protocolos e fazendo um povo esquecer de sua história – ainda sem capítulo final na vida de espanhóis e catalãos.

Como jogador do Barcelona, Ronaldinho criou o inimaginável, tornou real o impossível, endeusando a mais humana das paixões da terra: o futebol. Em um esporte dominado por negócios, o brazuca nos deu esperanças de que a essência do futebol permanece viva. Tão viva quanto seu eterno sorriso de criança.

O Camp Nou deu a Ronaldinho o que é de Ronaldinho. Uma simples, porém emocionante e justa homenagem. 

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma nova realidade


Johnson, Milner e Barry celebram: novo panorama na Inglaterra
O mundo inteiro critica ou tenta diminuir a importância do Manchester City por causa dos cerca de 200 milhões de euros gastos com a aquisição de intermináveis estrelas. Especialistas alegam que dinheiro não compra títulos nem tradição. O fato é que os investimentos do xeque Sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, o todo-poderoso do City, começam a dar resultado em pouco tempo.

O City recebeu o tradicional Liverpool nesta segunda-feira, pela segunda rodada do Campeonato Inglês, e venceu com facilidade por 3 a 0. Vale lembrar que a maior parte dos figurões do time estava no banco de reservas. Não há dúvidas de que os Citizens roubaram o lugar dos Reds no Big Four (além de Arsenal, Chelsea e Manchester City, formando as quatro potências do futebol inglês).

Muitos tiros saíram pela culatra. Robinho está de saída novamente, Jô foi emprestado inúmeras vezes, Bellamy também saiu por empréstimo, Balotelli deve esquentar o banco, assim como Santa Cruz tem feito desde quando foi contratado, também a peso de ouro. Curiosamente, contra o Liverpool, os destaques foram os jogadores ingleses: Milner, que acabou de chegar do Aston Villa, entrou muito bem e formou boa dupla de pontas com o jovem Johnson. O meio de campo Barry foi o autor do primeiro gol.

No Liverpool, jogadores do atual elenco começam a demonstrar desgaste. Gerrard, Torres, Kuyt e Carragher observaram passivamente o domínio adversário. Mascherano se antecipou e preferiu não jogar por supostamente estar revoltado com a negativa de seus dirigentes, que rejeitaram uma proposta razoável do Barcelona. Endividado, com estádio histórico mas ultrapassado para os atuais padrões do futebol inglês, e ídolos desgastados com a sequência de resultados ruins a cada temporada, o buraco não para de aumentar.

O período de vacas gordas do City parece estar apenas começando e não será surpresa caso a equipe do técnico italiano Roberto Mancini supere os outros membros do Big Four já na atual temporada. Mesmo com alguns tiros longe do alvo, o clube tem arsenal vasto e, para quem ainda está em fase de aprendizado, já deu tiros certeiros rumo à elite do futebol europeu.

sábado, 21 de agosto de 2010

Gostinho de quero mais


Nistelrooy: faro de gols segue intacto
Eles ainda estão atrás de espanhóis e ingleses. Ainda não atraem estrelas como Real Madrid e Barcelona. Nem possuem o poder financeiro de Chelsea e Manchester City. Entretanto, os alemães surgem como principal atrativo para a atual temporada do futebol europeu. A média de público surpreende a cada ano. A qualidade do futebol também cresce em uma mistura de veteranos como Raúl e jovens talentos como Muller, artilheiro da última Copa.

A prova de que o Campeonato Alemão será digno de olhares mais atentos foi o duelo entre Hamburgo e Schalke 04. Um partidaço. Van Nistelrooy, apesar de ter perdido gols incríveis, foi o destaque da vitória do Hamburgo por 2 a 1, marcando os dois do triunfo dos donos casa. O estádio, lotado, foi ao delírio com um jogo repleto de emoções durante todos os 90 minutos.

Com o holandês Elia – reserva de luxo da seleção holandesa - e o croata Petric dominando as ações, o Hamburgo envolveu o adversário sem dificuldades. Poderia ter sido uma goleada histórica. Mas não se trataria de um bom embate se não houvesse emoção. Com um a menos, o Schalke empatou no segundo tempo. Farfan, melhor jogador dos visitantes, calou uma torcida que já se preparava para a cerveja pós jogo. No final, Nistelrooy se consagrou após bela arrancada do experiente Zé Roberto, que mais parecia um garoto cheio de gás querendo mostrar serviço.

Também de maneira emocionante, o atual campeão Bayern de Munique teve que ralar para garantir a vitória sobre o Wolfsburg, por 2 a 1, na última sexta-feira. O gol de desempate saiu no apagar das luzes.

A Bundesliga conta com ingredientes necessários para satisfazer a fome de bom futebol. Pelo que foi visto na primeira rodada, deu para ficar com gostinho de quero mais.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Craques descartáveis

Estrelas esquentavam o banco no Real
O Real Madrid contratou duas jóias raríssimas para o primeiro período da Era José Mourinho: Di Maria e Özil. Apesar de ter feito pouco para a Argentina na última Copa, Di Maria é a atual menina dos olhos do futebol argentino. Özil dispensa apresentações. Foi um dos destaques do bom time da Alemanha durante o Mundial. Os dois são jovens, talentosos, ainda não têm currículo, mas podem cair em uma sina de craques consagrados que vestiram – ou ainda vestem – a camisa merengue.

Na última temporada, Robben carregou o Bayern de Munique nas costas, garantiu o título do Campeonato Alemão e ainda levou os bávaros à final da Liga dos Campeões. Sneijder assumiu a camisa 10 da Internazionale e ganhou... tudo. Os dois ainda classificaram a Holanda para a final da Copa da África do Sul. Lembra dos dois baixinhos carecas que arrasaram Felipe Melo e cia?

Antes do período de glórias, entretanto, ambos foram obrigados a arrumar as malas e escolher um novo clube. A dupla estava no Real Madrid, que acabara de contratar Cristiano Ronaldo e Kaká, os dois jogadores mais baladados do momento. Não havia espaço para os holandeses. Além de, supostamente, jogarem menos do que as novas aquisições, comercialmente Ronaldo e Kaká eram muito mais interessantes.

Kaká sofreu com lesões e pouco foi utilizado. Ronaldo foi melhor, mas longe de ser o craque decisivo dos tempos de Manchester United. Para 2010/2011, novo treinador e novas apostas. Indícios de que existe o medo de a união Brasil-Portugal não ser tão segura para o sucesso da equipe espanhola. Assim como aconteceu com Robben e Sneijder. Não será surpresa a saída dos astros em 2011 ou 2012, aumentando o círculo vicioso de um clube em que craques de futebol são produtos descartáveis.